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terça-feira, 31 de maio de 2011

Mutações em gene podem ditar recidiva da leucemia linfoblástica aguda

Investigadores do Hospital Pediátrico de St. Jude, nos EUA, identificaram mutações no gene CREBBP que podem contribuir para a resistência no tratamento do cancro, permitindo a recidiva da leucemia linfoblástica aguda (LLA), avança a Lab Spaces, citada pela Fundação Rui Osório de Castro, no seu site.

O gene CREBBP desempenha um papel importante no desenvolvimento normal de células sanguíneas e neste estudo do Hospital Pediátrico de St. Jude foram avaliadas 341 crianças e jovens adolescentes com este tumor. 

Os investigadores descobriram que 18,3% de um total de 71 doentes que sofreram uma recidiva de LLA tinham sofrido mutações nos segmentos de ADN do gene em causa, contra apenas um dos 270 jovens com leucemia que não sofreu regressão da doença.

Os cientistas sublinham que o gene é um indicador de potencial risco de recaída devido às elevadas mutações a que está sujeito, além de ter sido encontradas evidências de que as mudanças ocorrem em importantes regiões reguladoras do gene, afectando a função celular, incluindo a forma como células tumorais respondem aos esteróides, que desempenham um papel importante no tratamento do cancro.

O artigo publicado na revista científica Nature explica que as conclusões apuradas dão provas de que os estudos detalhados da genómica podem identificar mutações importantes que influenciam a resposta do tumor ao tratamento.

Este é o primeiro estudo que liga as alterações na sequência do ADN do gene da leucemia e linfoma e os resultados ressalvam que existem alterações genéticas adicionais que ajudam a determinar se uma criança está ou não sujeita a uma recaída.


Fonte: POP

Salamanca: Identificada presença de células de leucemia em idosos saudáveis

Investigadores espanhóis identificaram células cancerígenas de Leucemia Linfocítica Crónica (LLC) em vários idosos saudáveis com mais de 70 anos de idade, descoberta que abre agora novas portas no diagnóstico e tratamento de leucemias, no sentido em que rompe com o actual conceito médico que até então considerava as células deste tipo de leucemia como, necessariamente, tumorais.
Num estudo coordenado pela Universidade de Salamanca, que contou com a participação de um investigador brasileiro da Universidade Federal do Rio de Janeiro, foram avaliados 639 voluntários e a presença das células entendidas como tumorais foi confirmada na totalidade das amostras recolhidas nos idosos que participaram no estudo com 70 anos ou mais.

A descoberta de que as células de LLC podem ser encontradas em idosos saudáveis rompe com o actual conceito médico que até então entendia as células deste tipo de leucemia como, necessariamente, tumorais, segundo um artigo redigido na publicação especializadaLeukemia, da revista científica Nature.

Os cientistas garantem que esta descoberta é um primeiro passo para o entendimento da doença, no sentido em que o trabalho mostra, pela primeira vez, que estas células podem ser normais.



Fonte: NoticiaPortugal

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Escassez de vitamina D associada à progressão de um tipo de leucemia

Investigadores da Clínica Mayo, nos EUA, descobriram uma associação entre os níveis de vitamina D no sangue e a progressão da leucemia linfocítica crónica (LLC), bem como o risco de morte em doentes que desenvolveram este tipo de cancro, avança a Fundação Rui Osório de Castro. 

Doentes com níveis mais reduzidos de vitamina D no sangue, no momento do diagnóstico da doença, sofreram uma progressão mais rápida do cancro e apresentaram duas vezes maior risco de morte, em comparação com os que tinham níveis adequados do composto.  

O artigo, publicado na edição online da revista Blood, refere ainda que a pesquisa concluiu que o aumento dos níveis de vitamina D potencia uma elevada taxa de sobrevivência, enquanto a redução dos mesmos estava associada a intervalos mais curtos entre o diagnóstico e a progressão do cancro, relação que se manteve mesmo após o controlo de outros factores relacionados com o desenvolvimento da leucemia. 

Um hematologista da Clínica Mayo sublinha a importância destes resultados, sobretudo no que toca à leucemia linfocítica crónica, porque, embora este tipo de cancro seja geralmente identificado em estágios iniciais, a abordagem padrão espera que os sintomas se pronunciem antes de avançar para um tratamento de quimioterapia.

Deste modo, a descoberta de que os níveis de vitamina D podem ser um factor de risco na progressão da leucemia permite uma nova abordagem sobre a doença. O próximo passo será determinar se a reposição de vitamina D nestes doentes pode reverter a progressão da leucemia, algo que o estudo em questão não avaliou.


Fonte: POP - EU

quinta-feira, 21 de abril de 2011

EUA com escassez de fármaco para tratar leucemia em crianças

A citarabina, um composto utilizado na quimioterapia para tratamento de alguns tipos de cancro, entre os quais as leucemias, integra a longa lista de fármacos em falta nos EUA, avança o LA Times, citado pela Fundação Rui Osório de Castro.

Funcionários do Hospital Pediátrico de Cleveland, nos EUA, garantem que a disponibilidade de citarabina tem sido imprevisível desde o ano passado devido a problemas de produção.

Jeffrey Hord, director de hematologia-oncologia no Hospital Infantil de Akron sublinha, por sua vez, que o problema deve-se ao desinteresse das farmacêuticas que, muitas vezes, optam por não produzir medicamentos que tratam um segmento menor da população, porque há menos lucro. No caso específico destes fármacos, há menos casos de cancro infantil em relação a doenças próprias dos adultos.

A escassez destes medicamentos indispensáveis pode colocar em causa a viabilidade dos tratamentos em alguns casos. A demora no atendimento também pode interferir na recuperação de um doente.

O fármaco começou a faltar nos EUA em Outono de 2010 devido a atrasos na sua produção e a situação agravou-se ainda em Fevereiro, garante a agência norte-americana que regula o medicamento (FDA).

Actualmente, a comercialização de citarabina no país está a cargo de três laboratórios, mas a FDA já contactou outros fabricantes para tentar repor o medicamento e aguarda agora o processo de avaliação.

A citarabina é utilizada principalmente no tratamento de crianças com leucemia mielóide aguda e leucemia linfoblástica aguda ou ALL e não existe um medicamento alternativo.


Fonte: POP Portal de Oncologia Português

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cientistas querem identificar mutações celulares que provocam a leucemia linfóide aguda

A leucemia linfóide aguda é um tipo de cancro infantil que surge devido a uma série de alterações genéticas. Cientistas do Hospital Pediátrico de St. Jude, nos EUA, estão agora empenhados em determinar quais as alterações genéticas responsáveis pelo seu desenvolvimento, para que, no momento do diagnóstico, seja mais fácil decidir qual o tratamento e determinar a probabilidade de recaída do doente, avança o site Genoma Web, citado pela Fundação Rui Osório de Castro.

Nos últimos anos, os especialistas deste hospital têm centrado a sua atenção em perceber a natureza do conjunto de células cancerígenas presentes no momento do diagnóstico e da recidiva da doença.

O autor principal do estudo lembra a importância de perceber se, quando o doente é diagnosticado com leucemia linfóide aguda, cada célula tem a mesma mutação ou há subpopulações de células que podem ter diferentes alterações genéticas, avaliando ainda se isso influencia a forma como estas se comportam.

A investigação encontrou diferenças nos perfis genéticos nestas duas fases distintas (diagnóstico e recidiva). "A maioria dos doentes, quando diagnosticados, tinham vários conjuntos de células no seu corpo, algumas das quais mais resistentes à quimioterapia”.

Um outro estudo recente do Hospital Pediátrico de St. Jude, realizado em colaboração com investigadores da Universidade de Toronto e do Instituto de Cancro de Ontario, no Canadá, forneceu evidências de que as células de leucemia iniciais ramificam-se em subtipos diferentes, o que pode ditar o prognóstico e o resultado do tratamento.

Os cientistas explicam que “algumas dessas alterações só podem estar presentes em níveis extremamente baixos no momento do diagnóstico", pelo que defendem a possibilidade de identificar essas mesmas alterações a fim de permitir uma abordagem mais específica do tratamento.

As dificuldades podem agora passar por criar tecnologias capazes de detectar mudanças estruturais e mutações sequenciais a níveis muito reduzidos, refere o artigo da revista Nature.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Identificada molécula que reduz sintomas da leucemia


Medicamentos que bloqueiam um mecanismo essencial nas células, designados por inibidores MEK, poderiam reduzir os sintomas de dois tipos específicos de leucemia: a leucemia mielóide crónica e leucemia mielóide aguda, revela um estudo norte-americano, avança a Fundação Rui Osório de Castro, no seu site .

A investigação, da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos EUA, defende que os inibidores MEK podem minimizar os sintomas de doentes que sofram destes dois tipos específicos de leucemia, como anemia, aumento do baço, infecções e risco de desenvolvimento de cancros agressivos.

Os doentes afectados por este tipo de tumor expressam uma forma mutante da proteína Ras,  um importante activador de controlo molecular, incluindo o mecanismo de MEK, na medula óssea.

O tratamento com o inibidor MEK foi capaz de reverter os sintomas de leucemia num modelo de estudo afectado pela doença, no período de uma semana. Entre os efeitos observados, destaca-se a ocorrência de um reequilíbrio no número de células do sangue, garantindo maior produção de glóbulos vermelhos e leucócitos, refere o artigo publicado na revista Science Translational Medicine.

O resultado mais notável do estudo foi mostrar que o inibidor MEK força as células cancerígenas a readquirirem um comportamento adequado, apesar da mutação. Os resultados sugerem ainda que a proteína RAS também pode potenciar o risco de desenvolver a doença porque provoca um desequilíbrio entre diferentes células na medula óssea.

Fonte: POP Portal de Oncologia

terça-feira, 5 de abril de 2011

Instituto australiano procura perfil metabólico de células de cancro infantil

O Instituto Metabolomics Austrália (MA), que tem como foco de trabalho a investigação de materiais biológicos, anunciou recentemente um importante avanço na análise de células cancerígenas na área da leucemia, avança a Science Network, citada pela Fundação Rui Osório de Castro, no seu site.

A investigadora Amy Samuels refere que a pesquisa, que está ainda numa fase embrionária, debruça-se sobre o RNA (ácido ribonucléico) das células cancerígenas da leucemia linfoblástica aguda.A ideia dos cientistas é definir um relatório que permita identificar neste tipo de tumor quais os genes que são activados e bloqueados e em que células. 

Assim, além de um olhar sobre os genes e as proteínas que actuam no desenvolvimento deste tipo de cancro, os cientistas australianos procuram agora respostas nos metabolitos que podem mostrar o resultado final das reacções químicas que ocorrem no corpo, dando uma ideia do local exacto das mutações. 

A intenção é criar um perfil metabólico destas células cancerígenas, a fim de perceber de que modo as células de leucemia alteram o seu metabolismo e de que forma este está associado à resistência aos medicamentos.

Os investigadores acreditam que, depois de definido o perfil genómico, será possível identificar novos tratamentos terapêuticos. "Podemos até ser capaz de detectar as patentes que podem tornar-se resistentes, antes de as tratar e, em seguida, individualizar o tratamento para esses doentes".


Fonte: POP Portal de Oncologia Portugues

terça-feira, 29 de março de 2011

Descobertas mutações responsáveis pelo desenvolvimento da leucemia mielóide aguda

Cientistas do Instituto Wellcome Trust Sanger, no Reino Unido, identificaram três tipos de mutações que dão origem à leucemia mielóide aguda, um tipo de cancro que atinge os glóbulos brancos do sangue, avança a BBC, citada pela Fundação Rui Osório de Castro, no seu site.

A importância dos genes no desenvolvimento deste cancro foi descoberta em testes com cobaias e os cientistas acreditam que as conclusões apuradas serão fundamentais para a implementação de novas terapias.

O artigo publicado na Nature Genetics refere que a necessidade de perceber melhor o processo que leva à formação deste tipo de leucemia surge devido ao pouco progresso que se verifica no que diz respeito à criação de novos fármacos de combate à doença.

A mutação mais comummente envolvida no desenvolvimento do cancro é observada no gene NPM1. Alterando este gene em células do sangue em ratos, os cientistas conseguiram impulsionar a capacidade de renovação das células, um dos sinais mais comuns do cancro. No entanto, apenas um terço das cobaias desenvolveram este tipo de leucemia.

Durante a pesquisa foram aleatoriamente alterados os genes mutantes nos animais, através de uma técnica designada por mutagénese dirigida, a fim de identificar quais as mutações responsáveis pela doença nos animais.

Foram descobertos dois tipos adicionais de mutação, uma que afecta a divisão celular e o crescimento e uma outra que altera o ambiente celular.

George Vassiliou, autor do estudo, explica que o próximo passo passará, certamente, por identificar fármacos que já existam no mercado, com o intuito de os utilizar para combater alvos mais específicos.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Mieloma múltiplo: Investigação permite avançar para tratamento

Investigadores traçam perfil genético do mieloma múltiplo, o segundo cancro de sangue mais frequente em Portugal, apenas superado pela leucemia. Pesquisa foi publicada na revista Nature.
Genes que os investigadores pensavam não ter qualquer relação com a doenças cancerosas são, afinal, responsáveis pelo mieloma múltiplo, cancro que regista 400 novos casos por ano em Portugal e que tem, em média, uma taxa de sobrevivência superior a seis anos em 60 por cento dos pacientes.

Esta descoberta não se assume como uma conclusão de um estudo, mas como o primeiro passo para uma investigação que pode resultar na criação de fármacos, capazes de evitar a doença.

Todd Goulb, coordenador da pesquisa e responsável pelo Broad’s Cancer Program, nos Estados Unidos, indica que “será necessária muita pesquisa, no sentido de verificar se aqueles genes podem ser controlados com medicamentos”.

O mieloma múltiplo tem origem na medula óssea, quando células do sangue se tornam malignas e se multiplicam, ‘dominando’ o plasma, ao ponto de afetarem o próprio osso.
Este cancro pode desenvolver-se sem revelar sintomas durante vários anos. E esses sintomas surgem já depois de uma evolução prolongada da doença.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vacina de ADN será testada contra leucemia

Cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, anunciaram recentemente um novo tratamento contra o cancro que fortalece o sistema imunológico dos doentes e que lhes permite lutar contra a doença de forma mais eficaz, através do recurso a uma vacina de ADN, noticia o site Express Health Care, citado pela Fundação Rui Osório de Castro, uma fundação de solidariedade social que apoia crianças com cancro.

Os primeiros testes com a vacina de ADN vão começar com um grupo de voluntários que sofrem de leucemia mielóide aguda ou crónica. Os cientistas admitem controlar a doença vacinando os doentes contra um gene frequentemente associado ao cancro (gene 1 do tumor de Wilms), encontrado em quase todas as leucemias agudas e crónicas.

Para o estudo, que será feito em colaboração com outras entidades, serão avaliados até 180 doentes tratados nos hospitais de Southampton, Londres e Exeter, no Reino Unido, durante os próximos dois anos.

Christian Ottensmeier, oncologista e docente na Universidade de Southampton, explica que os tratamentos actuais contra a leucemia mielóide crónica conseguem bloquear a propagação do tumor; no entanto, obrigam a uma toma sucessiva por tempo indeterminado e têm efeitos secundários severos.

O tratamento com recurso à vacina de ADN é seguro e já se mostrou efectivo na activação do sistema imunológico em doentes com cancro de próstata, intestino e pulmão, motivo pelo qual os investigadores estão optimistas quanto aos bons resultados que podem ser apurados para as leucemias mielóide aguda e crónica.

Os cientistas lembram que há mais de dez anos que são utilizadas como terapias de primeira linha de tratamento da leucemia inibidores da tirosina quinase, mas estes fármacos raramente conseguem "curar" a doença.

Durante o estudo, cada participante receberá seis doses de vacina de ADN por um período de seis meses, com possibilidade de doses de reforço. A vacina será administrada de uma forma inovadora, utilizando a técnica de eletroporação, através da qual impulsos eléctricos, controlados e rápidos criam permeabilidade das membranas celulares e permitem maior absorção do material biológico após a sua injecção no tecido muscular e pele.

domingo, 13 de março de 2011

Leucemia: cientistas usam a bioengenharia para criar novo alvo terapêutico


Um estudo conjunto do Centro Infantil de Cancro e Doenças do Sangue, do Instituto de Pesquisa Saban e do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Los Angeles, identificou a proteína CD19-L, localizada na superfície de certos glóbulos brancos, que facilita o reconhecimento e destruição das células da leucemia pelo sistema imunitário. Os investigadores acreditam ter feito uma descoberta revolucionária sobre a forma como o organismo luta contra a doença, avança a Fundação Rui Osório de Castro, associação de pais e amigos de crianças com cancro.

O trabalho representa o primeiro relatório de uma versão de bioengenharia da CD19-L, um agente humano recombinante bioterapêutico, que actua directamente sobre as CD19-positivas, as células estaminais da leucemia.
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) do tipo B é o tipo de cancro mais comum entre crianças e adolescentes e a taxa de sobrevivência é reduzida.
Os investigadores sublinham que são necessárias novas terapêuticas contra a doença, que sejam efectivas a eliminar as células da leucemia resistentes à quimioterapia, sobretudo em pacientes com LLA, mas que, ao mesmo tempo, mantenham as células saudáveis intactas.

Proteína CD19-L
A nova proteína descoberta, designada por CD19-L, expressa-se na superfície dos linfócitos T e permite uma ligação selectiva ao receptor CD19 na superfície das células da leucemia de linhagem B, um tipo de células estaminais leucémicas responsáveis pela sobrevivência deste tipo de tumor sanguíneo. A proteína CD19-L consegue ligar-se às células da leucemia, promovendo a apoptose (morte celular) das suas células.
A equipa de cientistas criou uma fórmula rica e pura desta proteína e a mesma não se ligou apenas às células da leucemia, como também provocou a sua morte no espaço de 24 horas, mesmo no caso das células que se tinham revelado resistentes a tratamentos de quimioterapia e radioterapia.
Entre as vantagens enumeradas pelos cientistas estão a especificidade da CD19-L que sugere uma eficácia significativa como novo alvo terapêutico. Os investigadores esperam conseguir, numa próxima fase, avaliar o novo agente a fim de prever o seu potencial clínico contra a leucemia e confirmar, em estudos pré-clínicos, que a destruição de células da leucemia pode ser alcançada com doses não tóxicas.

terça-feira, 1 de março de 2011

Pesquisadores apostam em tratamento com genes para curar Aids


Timothy Ray Brown se curou de leucemia e HIV após transplante de células-tronco
retiradas da medula óssea de um doador resistente à Aids


Estudo foi baseado em caso de homem com leucemia que se curou da doença.

Cientistas americanos deram mais um passo na luta contra a Aids. Utilizando terapia com genes, os pesquisadores modificaram células dos pacientes e as tornaram resistentes ao HIV, o vírus causador da doença.
O tratamento foi baseado no caso do americano que se curou da doençaapós um tratamento contra leucemia. O anúncio foi feito em dezembro passado. Usando células-tronco adultas retiradas da medula óssea de um doador que era imune ao HIV, por causa de uma mutação genética, o paciente não apresentou mais sinais do vírus no organismo.
A partir desse caso, os cientistas começaram a procurar uma maneira de alcançar a mesma imunidade usando células sanguíneas do próprio paciente.
Usando essa mesma mutação genética que permitiu a cura do americano, os cientistas decidiram apagar permanentemente um gene humano e inserir as células alteradas de volta no organismo.
Essa mutação atinge algumas pessoas, cerca de 1% da população branca, que são resistentes ao HIV. Isso porque elas têm dificuldade de produzir uma proteína chamada CCR5, um receptor presente nos linfócitos CD4+, células de defesa do organismo que são destruídas pelo HIV. O vírus da Aids usa o CCR5 para se “encaixar” nessas células.
A partir disso, os cientistas “cortaram” e “modificaram” o gene. No estudo, seis homens tiveram as células sanguíneas filtradas para remover a pequena quantidade de células-T. Cerca de 25% dessas células foram modificadas com sucesso. Elas, em seguida, foram multiplicadas e reintroduzidas nos pacientes.
Três dos homens receberam 2,5 bilhões de células modificadas, enquanto os outros três receberam por volta de 5 bilhões.
Após três meses, cinco pacientes apresentavam o triplo de células modificadas esperadas. Segundo os cientistas, 6% de todas as células-T dos pacientes eram do novo tipo, ou seja, resistentes ao HIV. O sexto homem também desenvolveu as células, mas em quantidade menor do que a esperada.
Os únicos efeitos adversos, dizem os pesquisadores, foram sintomas parecidos aos da gripe.
Apesar dos resultados, o coordenador do estudo, o médico Jacob Lalezari, do Centro de Pesquisas Quest, alertou que ainda é cedo pra dizer que a terapia se torne a cura da doença. A pesquisa foi feita em parceria com cientistas da Universidade da Califórnia e patrocinada pela empresa de biotecnologia Sangamo BioSciences.
Otimismo
Para o pesquisador John Rossi, do City of Hope, na Califórnia, a pesquisa é um grande passo.
- A ideia é que, se você tira as células que o vírus ataca, você pode curar a doença.
Apresentados nesta segunda-feira durante uma conferência em Boston (EUA), os resultados causaram bastante otimismo entre os especialistas, como o médico John Zaia, coordenador do painel do governo americano que supervisiona pesquisas com genes.
- Pela primeira vez as pessoas estão começando a pensar na cura da doença.
Ainda que a terapia genética não seja capaz de eliminar o HIV completamente do organismo, Zaia afirma que será possível proteger o corpo dos pacientes o suficiente para controlar o vírus e dispensar o uso de remédios, o que é chamado de cura funcional.
De acordo com Carl Dieffenbach, coordenador de Aids do Niaid (Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos), há esperança de que a terapia seja suficiente para dar um nível de proteção parecido ao alcançado pelo paciente que foi curado.
Segundo os cientistas, ainda é cedo pra dizer se a terapia pode indicar um caminho para a cura da doença ou para um novo tratamento. Apesar disso, os cientistas afirmam que a alternativa é viável e segura.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Lançada bolsa de investigação em leucemia linfoblástica aguda


A Fundação Sandra Ibarra de Solidariedade contra o Cancro lançou uma bolsa na área de investigação da leucemia linfóide aguda, lê-se no site da Fundação Rui Osório de Castro, associação de apoio a crianças com cancro e seus familiares.

A selecção para atribuição da bolsa ao abrigo da 2ª edição da bolsa “Paula Estevez”, no valor de 7 mil euros, ficará a cargo de uma comissão de peritos nomeados pela Fundação e pela Agência Nacional de Avaliação e Planeamento (ANEP).

Os resultados serão conhecidos a 15 de Junho de 2011.

Os interessados em concorrer à bolsa de investigação devem enviar as suas candidaturas e projectos até às 00:00 do dia 15 de Março de 2011.

Os regulamentos do concurso estão disponíveis no site da Fundação Sandra Ibarra de Solidariedade contra o Cancro.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Doar plaquetas pode salvar vidas


Tão fácil quanto doar sangue, mas desconhecido por grande parte da população a doação de plaquetas é importante para casos de sangramento excessivo.

O processo de doação de sangue é bastante conhecido pela sociedade. Entretanto, muitos não sabem que também é possível doar apenas plaquetas. Estas são fragmentos de células presentes no sangue e responsáveis pela coagulação, evitando assim uma hemorragia no organismo.

O sistema sanguíneo contém uma grande quantidade de plaquetas, portanto, a doação não é prejudicial, principalmente porque são recompostas rapidamente pelo organismo. A coleta é realizada por aférese (o sangue do doador é retirado de uma veia do braço passando por um equipamento que retém parte das plaquetas e devolve o restante do sangue e suas células à veia do outro braço). O procedimento é realizado em 90 minutos, aproximadamente.

A transfusão de plaquetas é muito importante para os pacientes que sangram excessivamente por causa de leucemias, aplasia de medula óssea, quimioterapia, radioterapia, etc. Essas pessoas apresentam um sangramento sério por não produzirem plaquetas suficientes devido aos tipos de medicamentos e debilidade do organismo. Aqueles que receberam o transplante de medula óssea, por exemplo, necessitam de muitas transfusões.

Doar plaquetas, assim como doar sangue é um ato voluntário de solidariedade e de responsabilidade social. Se cada cidadão com boas condições de saúde tomasse a decisão de se tornar doador, os hemocentros não passariam por nenhuma dificuldade.

É possível esclarecer qualquer tipo de dúvida acessando os seguintes sites: www.santacasasp.org.br; www.prosangue.sp.gov.br; www.abrale.org.br;www.oncopediatria.org.br.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Conheça a matriarca da genética do câncer moderna

A Dra. Janet Davison Rowley, de 85 anos, é a matriarca da genética do câncer moderna.
Sem sua descoberta da década de 1970, de que cromossomos quebrados e translocados eram um fator importante no câncer do sangue, nós provavelmente não teríamos os tratamentos para leucemia que hoje são rotineiros.
As conversas ocorreram no início do inverno, em seu escritório na Universidade de Chicago e também em sua casa no Hyde Park, onde ela mora com o marido Donald Rowley, de 62 anos, patologista de pesquisa.
Segue uma versão editada e resumida das entrevistas.
Pergunta: A senhora não começou como geneticista, mas como médica.
Sua carreira na pesquisa foi acidental? Resposta: De forma alguma.
No final da década de 1950, trabalhei alguns dias por semana como médica numa clínica do Hospital Cook County, direcionada a crianças com retardo mental.
Como tinha crianças pequenas em casa, eu só trabalhava meio período.
Em 1961, a Universidade de Chicago concedeu ao meu marido uma licença de um ano na Inglaterra.
Eu precisava de algo para fazer nesse período em que estaríamos lá.
Devido ao meu trabalho com crianças retardadas, eu estava interessada em doenças hereditárias.
Havia sido recentemente descoberto que a síndrome de Down estava ligada a uma cópia adicional do cromossomo 21.
Assim, um amigo conseguiu um encontro com Laszlo Lajtha, hematologista de Oxford.
Ele estava conduzindo trabalhos revolucionários com o padrão de replicação de células da medula óssea.
Lajtha permitiu que eu frequentasse o laboratório para ampliar seu trabalho à replicação de cromossomos, algo que me interessava, e para aprender mais sobre o emergente campo da citogenética.
P: Qual era o estado da pesquisa genética em 1961? R: A revolução estava longe de acontecer.
Havia se passado menos de uma década da descoberta de Watson e Crick.
Estávamos apenas começando a ter uma ideia de como era o DNA.
Ainda não existiam as ferramentas certas para pintar, cortar, examinar e manipular.
Porém, mesmo com tecnologia limitada, já havia alguns avanços.
Um dos mais importantes veio em 1960, quando Peter Nowell e David Hungerford, da Filadélfia, descobriram que um pequeno cromossomo tinha a metade do tamanho normal em muitos pacientes com CML, um tipo de leucemia.
Segundo uma convenção da época, isso ficou conhecido como o cromossomo Filadélfia.
Gostei muito de meu trabalho laboratorial com Lajtha.
Decidi que, voltando Chicago, eu tentaria encontrar outro trabalho de meio período _ mas desta vez em pesquisa.
P: Como a senhora iria fazer isso, com poucas credenciais de pesquisa? R: Bem, eu tinha um artigo conjunto com Lajtha que seria publicado na revista "Nature", sobre a replicação de DNA em cromossomos.
Então eu tinha ao menos isso.
O que fiz foi ir até Leon Jacobson, diretor do Hospital Argonne de Pesquisa do Câncer, financiado por uma grande verba da Comissão de Energia Atômica; ele tinha um pote de dinheiro.
"Tenho um projeto de pesquisa iniciado na Inglaterra que gostaria de continuar.
Eu poderia trabalhar aqui por meio período? Tudo de que preciso é um microscópio e uma sala escura.
Ah, e eu posso ter um salário? Preciso ganhar o bastante para pagar uma babá".
E ele disse sim para tudo! Uma vez no hospital, o hematologista Dr.
Jacobson às vezes me pedia para examinar as lâminas de seus pacientes de leucemia.
No microscópio, enxergávamos cromossomos anormais _ uma quantidade grande ou pequena demais num grupo, embora fosse difícil diferenciá-los entre si.
A tecnologia ainda não havia chegado lá.
P: Isso acabou levando à sua importante descoberta de 1972, sobre as translocações cromossômicas? R: Sim.
Mas eu ainda faria outra viagem à Inglaterra antes que isso acontecesse.
Em 1970, meu marido ganhou outra licença em Oxford.
Quando estávamos de saída, apareceu essa nova tecnologia da associação.
Com isso, o material genético é pintado com corantes especiais e examinado num microscópio fluorescente.
As bandas nos cromossomos se destacam em contraste.
Você consegue enxergar diferenças sutis, que podem ser usadas para identificar cromossomos diferentes.
Havia alguém em Oxford que trabalhava ativamente com essa técnica.
Eu consegui utilizar o microscópio fluorescente à noite e nos finais de semana, para estudar coisas relacionadas ao meu trabalho.
No fim da licença, eu sabia que podíamos aprender mais sobre os cromossomos do que era observado nas lâminas dos pacientes de leucemia.
P: E foi assim que a senhora descobriu as translocações? R: Bem, naquela ocasião era possível usar os padrões das bandas para identificar diferentes cromossomos.
Assim que retornei a Chicago, examinei dois grupos distintos de cromossomos _ com tamanhos e formatos similares _ de pacientes com leucemia do tipo AML.
Os cromossomos 8 e 21 estavam quebrados e possuíam pontas trocadas _ a primeira translocação cromossômica reconhecida.
Mais adiante, examinei fotografias de células CML, uma tingida por este processo e outra não.
Era possível ver que o cromossomo 9 tinha um pedaço extra nele.
Essa era a parte do cromossomo Filadélfia que havia se partido.
Ao contrário do que havíamos pensado, o cromossomo Filadélfia não representava uma eliminação de material cromossômico.
Tanto o cromossomo Filadélfia quanto o cromossomo 9 haviam sofrido quebras e troca de pontas _ era a segunda translocação.
P: E essa foi uma descoberta revolucionária para a genética, certo? R: E para o câncer.
Ainda havia muito a descobrir, claro.
Por que essa disposição levava à leucemia? Qual a consistência dessas descobertas? Em meu laboratório, em 1977, descobrimos uma terceira tradução específica num tipo raro de leucemia, o APL.
Isso mostrou que o que havíamos observado com os outros dois não era uma anomalia.
A terceira descoberta me transformou numa fiel.
E no final da década de 70 houve o consenso geral: o câncer é uma doença genética.
P: Algumas vezes se diz que o milagroso remédio Imatinib, que se mostrou tão útil contra CML e outros cânceres, não existiria sem o seu trabalho.
Isso é verdade? R: É uma afirmação bastante generosa.
Mas você teria de passar por muitos passos nesse meio-tempo.
As pessoas me acusam de ser humilde demais.
Mas observar cromossomos no microscópio não é engenharia de foguetes.
Se eu não tivesse descoberto, outra pessoa descobriria.
P: A senhora acha que uma carreira como a sua seria possível atualmente? R: Não.
Eu fazia uma pesquisa direcionada pela observação.
Hoje, isso é uma sentença de morte na busca por financiamentos.
Atualmente somos tão focados na pesquisa por hipóteses que, fazendo o que eu fiz, seu trabalho seria chamado de "expedição de pesca", algo ruim.
Certo, nós sabíamos sobre o cromossomo Filadélfia, e depois da associação nós tínhamos a tecnologia para definir ganhos e perdas entre os diferentes cromossomos.
Mas quando se descobria isso, quais seriam as implicações dos ganhos e perdas? Isso é a "pesca", pois não existia uma hipótese.
Bem, sem nenhum conhecimento, é impossível ter uma hipótese concreta.
Eu continuo dizendo que pescar é bom.
Você pesca quando quer saber o que existe ali.
c.
2011 New York Times News Service

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Proteína exterminadora

Uma proteína descoberta em 1995, capaz de aniquilar as células tumorais, deixando ilesas as células saudáveis, é considerada um dos mais poderosos recursos naturais do organismo para deter o câncer. No entanto, em certos tipos de câncer há uma inibição da expressão dessa proteína, conhecida como TRAIL (sigla em inglês para ligante indutor de apoptose relacionada ao fator de necrose tumoral), o que permite a evolução do tumor. Uma equipe brasileira de cientistas desvendou um mecanismo molecular que controla a expressão de TRAIL na leucemia mieloide crônica (LMC). O estudo, que mostrou como a “armadilha contra o câncer” é desmontada, abre caminho para a investigação de alternativas terapêuticas para a doença.
O trabalho, coordenado por Gustavo Amarante-Mendes, professor do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), foi publicado na revista Oncogene, do grupo Nature.

O cientista coordena atualmente um projeto de pesquisa, financiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, que tem foco na área de excelência do grupo do ICB-USP: estudos sobre os mecanismos moleculares que regulam os processos de morte celular em câncer e em células do sistema imune.

De acordo com Amarante-Mendes, o trabalho foi a base da pesquisa de doutorado de Daniel Diniz de Carvalho, primeiro autor do artigo. Colaboraram também Welbert de Oliveira Pereira e Janine Leroy, alunos de doutorado e mestrado, respectivamente. Os três tiveram bolsas da FAPESP.

Durante seu desenvolvimento, a partir de 2007, o estudo recebeu diversos prêmios, incluindo o Nature Reviews Cancer Award, durante a 8ª Conferência São Paulo de Pesquisa, o segundo lugar no Prêmio Michel Jamra para Jovens Pesquisadores durante a 23ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), além do Prêmio Ricardo Pasquini, como melhor trabalho sobre leucemia mieloide crônica apresentado no congresso da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (Hemo 2009).

Segundo Amarante-Mendes, a proteína TRAIL induz suas células-alvo à morte iniciando um complexo e bem regulado programa molecular conhecido como apoptose, que é acionado durante o desenvolvimento embrionário, para formar de maneira apropriada órgãos e tecidos. Na vida adulta, a apoptose – ou morte celular – desempenha um papel fundamental na renovação das células.

“Os defeitos no processo de apoptose são observados em diversas formas de câncer e a aquisição de resistência à apoptose é considerada uma das etapas do processo de gênese do tumor. Algumas formas de câncer são capazes de desenvolver resistência à morte induzida por TRAIL. Outras, como a LMC, inibem a produção de TRAIL, escapando desse importante mecanismo de defesa. Nosso estudo demonstrou o funcionamento desse mecanismo molecular”, disse Amarante-Mendes à Agência FAPESP.

A LMC, segundo o cientista é causada por uma proteína quimérica – isto é, que não deveria existir normalmente no organismo –, que surge como resultado de uma “confusão” entre os cromossomos 9 e 22, que trocam trechos entre si.

“É o que se chama de translocação gênica: a proteína ABL, do cromossomo 9, é transferida para a região BCR do cromossomo 22. Isso gera um cromossomo atípico, denominado cromossomo Filadélfia, associado à LMC. O nosso estudo investigou os mecanismos moleculares responsáveis pela inibição da expressão de TRAIL nas células leucêmicas BCR-ABL-positivas”, explicou.

O trabalho, de acordo com Amarante-Mendes, teve colaboração de outros grupos de pesquisa, incluindo as equipes coordenadas por Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa da USP, Eliana Abdelhay, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), e as professoras Fabíola Castro, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCF-RP-USP), e Jacqueline Jacysyn, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Bala mágica

Inicialmente, a equipe observou que a expressão de TRAIL diminuía expressivamente com a progressão da LMC e essa diminuição estava diretamente relacionada a um aumento na expressão de uma outra proteína: a PRAME (sigla em inglês para antígeno preferencialmente expresso do melanoma).

“A PRAME normalmente não é encontrada em células normais, mas está presente com frequência nas células tumorais. Depois de constatar isso, nós observamos que a PRAME é diretamente responsável por inibir a expressão de TRAIL em células leucêmicas”, disse Amarante-Mendes.

De acordo com ele, a PRAME é responsável por recrutar proteínas capazes de inibir a transcrição gênica por meio de mecanismos epigenéticos. “O trabalho mostrou também que esse mecanismo tem implicações terapêuticas para a LMC, uma vez que a inibição de PRAME, por RNA de interferência, é capaz de gerar uma maior expressão de TRAIL, deixando as células leucêmicas mais suscetíveis à apoptose e, consequentemente, à terapia”, afirmou.

Quando a TRAIL foi descoberta, em 1995, pelo fato de matar as linhagens celulares em culturas tumorais preservando, ao mesmo tempo, as linhagens primárias, a proteína foi considerada uma “bala mágica” para o futuro do tratamento do câncer. Alguns tratamentos clínicos com base na TRAIL chegaram a ser desenvolvidos.

“O problema é que algumas formas de câncer são resistentes a essa sinalização. Em outras formas, como no caso estudado, o gene ABL-BCR mantém baixa a expressão de TRAIL. Por isso focamos os estudos na tarefa de desvendar esse mecanismo”, disse Amarante-Mendes.

É possível que o mesmo mecanismo desvendado pelos pesquisadores, segundo ele, possa ocorrer não só na LMC, mas também em outros tipos de tumores onde a expressão de PRAME é elevada.

“Essa possibilidade – e suas implicações clínicas – é o próximo passo para os nossos estudos”, disse o cientista. O tema, segundo ele, já começou a ser investigado por Bárbara Mello, que desenvolve no laboratório do ICB seus estudos de pós-doutorado, com bolsa da FAPESP.

O artigo BCR-ABL-mediated upregulation of PRAME is responsible for knocking down TRAIL in CML patients (doi:10.1038/onc.2010.409), de Gustavo Amarante-Mendes e outros, pode ser lido por assinantes da Oncogene em www.nature.com/onc.

Agência FAPESP

Leucemia: fármaco da Antisoma falha em ensaio


A Antisoma disse, na semana passada, que o fármaco AS1413 para o tratamento da leucemia aguda não atingiu o objectivo primário num ensaio de fase final. A companhia também vai interromper o desenvolvimento de outro medicamento oncológico, o que representa um golpe para as perspectivas do grupo britânico de biotecnologia, avança a agência Reuters.
O CEO Glyn Edwards disse que o fracasso do único fármaco da companhia em fase final foi "extremamente decepcionante para os pacientes, investigadores, investidores e funcionários".
A Antisoma esperava que o AS1413 fosse eficaz no tratamento de doentes que tinham um nível elevado de resistência a outros medicamentos.
A farmacêutica francesa sanofi-aventis também informou um revés com o iniparib, um medicamento contra o cancro da mama avançado, enquanto que a AstraZeneca disse, em Setembro, que o fármaco para o cancro da próstata zibotentan falhou o objectivo dos testes, não melhorando a sobrevivência dos pacientes.
O fármaco chave da Antisoma para o tratamento do cancro do pulmão fracassou, em Março, provocando uma queda de 75% nas suas acções, da qual a companhia nunca recuperou.
A empresa disse ainda que vai interromper mais cedo os ensaios de fase II com outro medicamento para a leucemia, o AS1411, após dados recentes não mostrarem benefício terapêutico.
"Agora, vamos ficar menores e focar na maximização do valor dos nossos outros programas", explicou o CEO.
A Antisoma vai cortar imediatamente nos gastos para preservar o seu dinheiro, que se situou nos 23,4 milhões de libras (37,2 milhões dólares), no final de 2010.

Sucesso TOTAL

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19 de Abril - Hemocentro Marília